Me manda fazer
um gesto sem jeito
só pra me imitar,
se eu digo que “não”,
desmancha a minha boca
na morsa do ar.
Se eu fujo pra longe,
lá de trás fecha o punho e daqui
não sinto mais nada,
sou sombra de mim,
dissolve o meu corpo
em seu negro cetim.
À mão leve vem,
sulfura em segredo
o artelho polar,
assim, sem se ver,
se sente no escuro
um gelado palpar.
Me manda pra longe
de você, pra longe de mim,
nem vi me enlaçou
nos seus braços e assim
trocamos de lado,
valsamos sem par.
Traz sempre pra eu ver
escombros de sonho,
vermelho-solar.
Não deixa esquecer
o nome de alguém
que jamais voltará.
Se o tempo responde
toda angústia com um “é assim”,
em concha é sem borda,
sem fundo e sem fim,
pois preme o que cabe
no que não pode estar.
Acena outra vez,
aponta pra quando,
de um outro lugar,
na lâmina-tez,
riscou tudo que ainda
está pra se dar.
Talvez se perder
seis falanges na hora do fim,
partida à mão-cheia,
a cidade ruim,
já cinza e exangue,
palma seca ao luar,
repousará.

A mão invisível by Vinicius Marques Pastorelli is licensed under a Creative Commons Atribuição 3.0 Unported License. Based on a work at http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=5238946122397768779&postID=4290629009239929016. Permissions beyond the scope of this license may be analysed once you leave a comment on http://anotacoessobremusica.blogspot.com/2010/04/mao-invisivel.html.

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